alergia alimentar infantil e1579876130641 - ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA – APLV

ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA – APLV

O QUE SÃO ALERGIAS ALIMENTARES ?

As alergias alimentares são reações que acontecem quando o sistema de defesa do organismo (imunológico) responde de maneira anormal a certos alimentos, identificando incorretamente certos componentes como prejudiciais e produz uma resposta exagerada, ocasionando vários sintomas e em alguns casos, podendo ser fatal. Os oito alimentos mais alergênicos são: leite de vaca, soja, ovo, trigo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas.

O QUE É ALERGIA À PROTÍNA DO LEITE DE VACA ( APLV)?

A APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite, principalmente às proteínas do coalho (caseína) e às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina). É uma das alergias alimentares mais comuns em bebês, e geralmente aparece antes de 1 ano de idade.

qual a incidência da aplv?

Estima-se que 1 a 17% das crianças menores de 3 anos apresentam sintomas sugestivos de APLV. A alergia à proteína do leite de vaca é o tipo de alergia alimentar mais comum na infância

QUAIS SINAIS E SINTOMAS PARA SUSPEITAR DE APLV?

 As reações alérgicas às proteínas do leite de vaca podem ser dividas em: mediadas por IgE, não mediadas IgE ou mistas.

Reações mediadas por IgE ou Imediatas.

Acontece quando o organismo produz anticorpos específicos do tipo IgE (Imunoglubulinas E) para as proteínas do leite de vaca as quais a criança é alérgica (caseína, alfa-lactoalbumina e/ou beta-lactoglobulina são as principais). São reações tipicamente mais persistentes com o passar dos anos e geralmente mais graves.

Nesse tipo de reação os sintomas aparecem de segundos até 2 horas após a ingestão do leite. Como nesse tipo de reação há liberação de IgE, os testes alérgicos que medem a presença de IgE específica para os alimentos no sangue (RAST, ImmunoCap) e na pele (prick test) podem ser solicitados para auxiliar na investigação diagnóstica, devendo ser analisados junto com a história clínica e a resposta à dieta.

Reações não mediadas por IgE ou tardias.

São as reações em que o organismo não produz anticorpos IgE específicos, apresentando os sintomas de forma tardia, com horas ou dias após a ingestão do leite. Neste caso, desenvolvem tolerância ao leite, mas cedo que as de reação imediata. Neste caso os testes alérgicos no sangue ( RAST / ImmunoCap) e os da pele ( prick test ) não ajudam no diagnóstico, que deve ser feito de acordo com a história clínica, na dieta isenta dos alimentos suspeitos seguida do teste de provocação oral.

Reações Mistas

Acontecem quando os dois tipos de reações podem estar presentes, denominadas como manifestações mistas, podendo apresentar  sintomas imediatos e tardios à ingestão do leite, e os exames, testes e avaliações devem ser feitos para auxiliar o diagnóstico.

Confira na tabela abaixo os sinais e sintomas sugestivos de APLV

Tipo de Reação Características Definição Sinais e sintomas
IgE Mediada Reações Imediatas.
Aparecem de segundos até 2 horas após a ingestão do leite.
São denominadas desta forma, pois o organismo produz anticorpos específicos do tipo IgE (Imunoglubulinas E) para as proteínas do leite de vaca as quais a criança é alérgica (caseína, alfa-lactoalbumina e/ou beta-lactoglobulina são as principais). São reações tipicamente mais persistentes com o passar dos anos e geralmente mais graves. ·         Urticária (placas vermelhas disseminadas, geralmente com coceira associada),

·         Angioedema (inchaço dos lábios e dos olhos);

·         Vômitos em jato e/ou diarreia após a ingestão do leite;

·         Anafilaxia

·         Choque anafilático

·         Chiado no peito e respiração difícil.

IgE não mediada Reações Tardias.
Podem aparecer horas ou dias após a ingestão do leite.
são as reações em que o organismo não produz anticorpos IgE específicos, sendo desencadeada por outras células. O grande diferencial deste tipo de reação clínica é que os sintomas são tardios, podendo aparecer horas ou dias após a ingestão do leite.  Não é possível diagnosticar esse tipo de alergia a partir dos exames de sangue para determinação de IgE sérica específica (ImmunoCap®/ RAST), nem pelo teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (prick test). Crianças com esse tipo de reação normalmente desenvolvem tolerância ao leite antes que as demais. ·         Vômitos tardios;

·         Diarreia com ou sem muco e sangue;

·         Sangue nas fezes

·         Cólicas e irritabilidade;

·         Intestino preso;

·         Baixo ganho de peso e crescimento

·         Inflamação do intestino

·         Assadura e/ou fissura perianal

Mistas Podem surgir reações imediatas e tardias após a ingestão do leite Algumas crianças podem apresentar os dois tipos, denominadas como manifestações mistas. Nestes casos, podem surgir sintomas imediatos e tardios à ingestão do leite. ·         Dermatite atópica moderada a grave (descamação e ressecamento da pele, com ou sem formação de feridas).

·         Asma

·         Refluxo

·         Inflamação do esôfago (esofagite eosinofílica)

·         Inflamação do estômago

·         (gastrite eosinofílica)

·         Diarreia, vômito e dor abdominal

·         Baixo ganho de peso e crescimento

 

 

QUAIS AS CAUSAS DA APLV?

Existem várias causas que podem justificar a alergia, e muitas vezes elas podem estar associadas:

Genética: A característica genética é o fator mais associado ao desenvolvimento da alergia. Quando um dos pais tiver uma alergia, o filho é tem 2 vezes mais probabilidade de desenvolver a alergia, mas mesmo sem história familiar, a APLV pode se desenvolver.

Hipótese da higiene: é uma das possíveis causas do aumento das alergias alimentares, pois os hábitos de limpeza, as vacinas e os antibióticos tornam as pessoas menos expostas às infecções, levando a  alterações no sistema imunológico e consequentemente aumentando as chances de desenvolver alergias.

Exposição precoce às proteínas do leite: a oferta precoce de leite de vaca para bebês, principalmente nos primeiros dias de vida, aumenta as chances do bebê desenvolver APLV, pois os órgãos do trato digestório ainda não estão prontos e a criança poderá ter dificuldade em digeri-lo, absorvendo suas proteínas inteiras, antes de serem digeridas até estruturas menores que não causariam alergias. Nessa fase, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento, podendo reconhecer a proteína do leite de vaca como nocivo e desenvolver a alergia. Quando a mãe consome leite de vaca, uma pequena quantidade de proteínas pode passar para o leite e sensibilizar o bebê

 

O QUE SIGNIFICA FPIES ? (Food Protein Induced EnterocolitisSyndrome ou Síndrome da Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar )

É uma hipersensibilidade gastrointestinal a alimentos, não mediada por IgE, onde a criança apresenta vômitos repetitivos, diarreia e resposta inflamatória sistêmica que pode evoluir com desidratação aguda, letargia e queda de pressão arterial seguida choque hipovolêmico (15–20% dos pacientes).É considerada a mais grave das hipersensibilidades alimentares gastrointestinais não mediadas por IgE.

Os sintomas geralmente aparecem nos primeiros meses de vida após a introdução dos alimentos potencialmente desencadeadores (leite ou soja), sendo que cerca de 50% dos pacientes reagem aos dois alimentos. Pode ser causada também por arroz e aveia.

No início, a criança apresenta regurgitação frequente e sangue nas fezes, podendo confundir com alergia a proteína do leite de vaca. O diagnóstico diferencial normalmente é feito após a reexposição ao alérgeno quando a criança apresenta os sintomas característicos da forma aguda de FPIES: cólicas intensas, irritabilidade e vômitos abundantes de 2 a 6 horas após a ingestão do alimento.

Crianças não diagnosticadas e tratadas precocemente podem apresentar anemia, hipoalbuminemia, déficit de ganho de peso, crescimento e desenvolvimento.

O diagnóstico da FPIES, é baseado na história clínica, dieta isenta dos alérgenos suspeitos, seguida do teste de provocação oral. Na FPIES os testes alérgicos que medem a presença de IgE específica para os alimentos no sangue (RAST, ImmunoCap) e na pele (prick test) são negativos. Endoscopia e biópsias não são rotineiramente realizadas, pois além de serem exames invasivos não fornecem um resultado diferencial.

O teste de provocação oral é o padrão ouro para o diagnóstico de FPIES, e deve ser feito em ambiente hospitalar pois apresenta sérios riscos. Os sintomas podem aparecer algumas horas depois do início do teste e se diferem das demais manifestações não mediadas por IgE. Por essa razão alguns autores questionam a necessidade do TPO em casos de crianças que apresentaram sintomas clássicos com remissão total após o seguimento da dieta.

DIAGNÓSTICO

Definir se uma criança é alérgica ao leite de vaca não é fácil e nem rápido. O diagnóstico da APLV não é feito em apenas uma consulta. Ele começa com a suspeita, passa pela história clínica do paciente e só é concluído com exames de sangue, testes na pele ( prick teste) e teste de provocação oral e os resultados da dieta de exclusão. Os pais devem ficar atentos aos sintomas e procurar o médico quando observarem que algo não vai bem”, pois a demora pode influenciar no diagnóstico e no tratamento, e consequentemente na saúde do bebê. Cerca de 80% das crianças deixam de ter alergia até os 3 anos de idade.      

Os pais devem ficar atentos às seguintes situações, elaborando um diário alimentar com as refeições do dia:

  • quais alimentos costumam causar as reações? Qual Tipo de alimento ou forma de preparo que causa a reação?
  • qual a frequência dos sintomas: eles aparecem sempre que a criança consome leite de vaca? São sempre os mesmos sintomas?
  • Tempo entre a ingestão do alimento e o aparecimento dos sintomas
  • Quantidade necessária de ingestão dos alimentos para causar as reações
  • Descrição detalhada dos tipos de reações
  • Influência de outros fatores no aparecimento dos sintomas, como uso de medicamentos ou estresse.

Como é feita a exclusão do leite de vaca e o teste de provocação oral (TPO)?

Quando a história clínica e o resultado dos exames apontam para APLV, a criança deverá adotar uma dieta isenta de leite e seus derivados para confirmar o diagnóstico. No caso de bebês amamentados, a mãe deve continuar amamentando, mas tem de cortar de sua alimentação os mesmos alimentos para evitar que a proteína do leite de vaca seja transmitida pelo leite materno.

Além da nova dieta, o médico poderá sugerir o teste de provocação oral, para confirmar o diagnóstico, que deve ser realizado em ambiente hospitalar, pois se a criança apresentar alguma reação, poderá ser imediatamente medicado. Além disso, apenas o profissional de saúde sabe identificar adequadamente os sintomas e a sua relação com a APLV.

O teste de provocação oral é simples: durante o exame, o leite é introduzido em pequenas doses, com aumento progressivo no volume. Esse mesmo teste de provocação oral é feito após um tempo de tratamento para verificar se a criança já se curou da alergia. Quando a inserção do leite e derivados na dieta não causar reação, é sinal de que a cura aconteceu.

 

TRATAMENTO

O paciente com APLV pode desenvolver tolerância ao alimento se seguir o tratamento, pois em 90% dos casos, elas conseguem voltar a consumir o alimento normalmente.

Cerca de 50% das crianças com alergia à proteína do leite de vaca desenvolvem tolerância com um ano de idade; cerca de 75% até os três anos e 90% até completar seis anos.

O tratamento consiste em retirar da dieta o leite e seus derivados, e com isso o sistema de defesa não irá produzir as células e anticorpos responsáveis pelas reações alérgicas, possibilitando a remissão dos sintomas e, possivelmente, o desenvolvimento da tolerância ao leite no futuro. Isso ocorre quando o intestino da criança se recupera e amadurece o suficiente para poder se defender contra a entrada de proteínas que considerar estranhas.

Lactantes que não estejam recebendo o leite materno, com APLV confirmada, devem receber uma fórmula com proteína extensamente hidrolisada com eficácia comprovada em estudos clínicos; fórmula com aminoácidos livres são reservadas para certas situações. Fórmula com proteína isolada da soja, se tolerada, é opção acima dos seis meses de idade. O aconselhamento nutricional e monitorização regular de crescimento são obrigatórias em todas as idades que tiverem a exclusão da proteína do leite de vaca.

Portanto, continuar oferecendo leite e seus derivados ao pequeno alérgico, na esperança de que ele desenvolva tolerância com o tempo, é um erro grave. A criança com APLV pode sofrer reações graves e persistentes. Mesmo quando as reações são moderadas, a condição pode prejudicar o seu ganho de peso, crescimento e desenvolvimento ao longo do tempo.

Ausência de tratamento ou o manejo inadequado pode ter consequencias nutricionais graves podendo gerar dificuldade no ganho de peso, desaceleração ou estagnação na curva de crescimento e dificuldades alimentares. A alimentação é o principal centro de preocupação da família, pois a duração da dieta pode ser muito prolongada. Portanto, a intervenção nutricional, quando adequadamente planejada e monitorada, é o único meio eficaz de garantir o desenvolvimento correto.

Um tratamento em estudo atualmente é o de dessensibilização. Mas ele é indicado apenas para crianças com reações mediadas por IgE e que apresentam alergias persistentes, ou seja, não melhoram até os 5 anos de idade. Ele não é indicado em todos os casos, pois existe risco e não há garantia de eficácia. Além disso, são poucos os médicos que estão realmente capacitados a realizar esse procedimento.

 

 DÚVIDAS FREQUENTES

O que é APLV?

APLV é a sigla usada para  alergia à proteína do leite de vaca, que é uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas do leite. Quando a pessoa com APLV ingere alimentos que possuem as proteínas do leite, o seu sistema de defesa as reconhece como uma substância estranha e libera na corrente sanguínea anticorpos (IgE) ou células inflamatórias, acarretando reações gastrintestinais, de pele, respiratórias ou sistêmicas. Estima-se que 2 a 3% das crianças menores de 3 anos possuem APLV

Como suspeitar que meu filho tem APLV?

A criança com APLV ao ingerir o leite ou alimentos que possuem as proteínas do leite pode apresentar os seguintes sintomas:

  • Digestivos: Dificuldade para engolir, falta de apetite, recusa alimentar, saciedade com pouca quantidade de alimento, regurgitação (golfos) freqüente, vômitos, cólicas intensas, diarreia com ou sem perda de proteínas, sangue ou muco nas fezes, intestino preso, assadura na região anal.

De pele: Urticária (placas vermelhas na pele), sem relato de infecção, ingestão de medicamentos, ou outras causas; eczema atópico ou dermatite atópica (ressecamento e descamação da pele, com ou sem a presença de feridas ou secreção); coceira na pele; angioedema; inchaço de lábios e/ou pálpebras

  • Respiratórios: Coriza, obstrução nasal, chiado, respiração difícil e tosse, desde que não associados a infecções. Os sintomas respiratórios de forma isolada raramente estão associados à APLV, normalmente eles são acompanhados de baixo ganho de peso, sintomas digestivos ou de pele.
  • Sistêmicos ou gerais: baixo ganho de peso, crescimento e desenvolvimento, anafilaxia, FIPIES: síndrome da enterocolite causada por proteína alimentar (choque com acidose metabólica grave, vômitos, diarreia).

Estima-se que 1 a 17% das crianças menores de 3 anos apresentam sintomas sugestivos de APLV. Porém, ao realizar a investigação diagnóstica de forma correta apenas 2 a 3% dessas crianças são realmente alérgicas ao leite.

 Como diagnosticar a APLV?

Alguns exames podem ser solicitados pelo médico, porém nenhum é capaz de concluir ou descartar a hipótese de alergia alimentar sozinho. Eles devem ser analisados junto com a história clínica e a resposta da criança à dieta.

Na suspeita de APLV, o médico e/ou nutricionista pode prescrever a dieta isenta de leite, derivados e alimentos que possuem as proteínas do leite por 2 a 4 semanas, dependendo dos sintomas. Se nesse período os sintomas passarem é confirmada a suspeita e o teste de provocação oral deverá ser realizado para testar o leite na dieta novamente. Se os sintomas voltarem o diagnóstico é confirmado.

Se os sintomas não passarem é preciso investigar, pois pode não ser alergia ao leite de vaca.

 Se a criança ainda está consumindo alimentos ou medicamentos que possuem as proteínas do leite por engano. No caso de aleitamento materno exclusivo, a mãe deve excluir absolutamente a ingestão do leite e dos derivados.

 

  • A criança que apresenta APLV pode apresentar reação concomitante a outros alimentos?

O lactente, quando apresenta APLV, pode apresentar alergia concomitante à soja em até 60% dos casos, ao considerar as não mediadas por IgE. Nos casos mediados por IgE, essa porcentagem varia de 10 a 14%.

Qual exame o médico deve pedir para diagnosticar APLV?

Os testes alérgicos que medem a presença de IgE específica para os alimentos no sangue (RAST, ImmunoCap) e na pele (prick test) podem ser solicitados para auxiliar na investigação diagnóstica.

Porém, mesmo que o resultado desses exames seja negativo não é possível descartar a hipótese de alergia ao leite. Isso porque algumas reações, denominadas não mediadas por IgE, não aparecem no exame de sangue e de pele.

Também não é possível confirmar o diagnóstico apenas com o resultado positivo desses testes, pois eles indicam que a criança tem hipersensibilidade àquele alimento, não alergia. A pessoa pode apresentar hipersensibilidade no teste e não apresentar reação ao consumir o alimento. Só é considerado alergia quando o indivíduo apresenta reação ao consumir o alérgeno.

Exames como colonoscopia, endoscopia, etc. são muito invasivos e não concluem o diagnóstico de alergia alimentar. Eles devem ser solicitados quando a criança não responde favoravelmente à dieta para investigar outras doenças intestinais.

Exames que medem a presença de IgG para alimentos (de sangue ou saliva) não são específicos para alergia alimentar e os resultados normalmente são falso positivos, ou seja, o resultado é positivo para muitos alimentos e normalmente a pessoa não apresenta reação ao consumi-los

Portanto, nenhum exame conclui o diagnóstico de alergia alimentar sozinho. Alguns exames podem ser solicitados, mas precisam ser analisados junto com a história clínica e a resposta da criança à dieta.

  • Com que idade podem ser solicitados os testes alérgicos que medem a presença de IgE específica para os alimentos no sangue (RAST, ImmunoCap) e na pele (prick test) para a criança?

Os testes alérgicos podem ser realizados em qualquer idade, porém a chance do resultado não ser tão fidedignos antes de 1 ano é grande, pois o sistema de defesa da criança ainda está em fase de maturação. Além disso, quando a reação é tardia (ex: reações gastrintestinais) ela não é mediada por IgE, por isso não aparecerá no exame que mede a presença de IgE no sangue e na pele, e isso não quer dizer que a criança não é alérgica.

  • Quanto tempo depois do início da dieta os sintomas desaparecem?

Depende do tipo de reação que a criança apresenta. Crianças com reações imediatas apresentam melhora significativa dos sintomas em 3 a 7 dias. Já as crianças com reações tardias podem demorar até 4 semanas.

 Qual é o tratamento da APLV?

O único tratamento comprovadamente eficaz da alergia ao leite ainda é a dieta isenta de todos os alimentos que possuem as proteínas do leite por 6 a 12 meses, dependendo da idade e tipo de reação que a criança apresenta.

Os medicamentos ajudam a minimizar os sintomas, mas eles não tratam a alergia.

Um tratamento em estudo atualmente é o de dessensibilização. Mas ele é indicado apenas para crianças com reações mediadas por IgE e que apresentam alergias persistentes, ou seja, não melhoram até os 5 anos de idade. Ele não é indicado em todos os casos, pois existe risco e não há garantia de eficácia. Além disso, são poucos os médicos que estão realmente capacitados a realizar esse procedimento.

Meu filho tem APLV, posso dar leite de cabra ou de búfala para ele?

Não, pois as proteínas do leite de cabra e de búfala são muito semelhantes às proteínas do leite de vaca e a chance de reatividade cruzada entre essas proteínas é de 92%. Por esta razão, estes leites não deverão ser usados como substitutos do leite de vaca, uma vez que poderão causar as mesmas reações na criança.

  • Para a mãe que amamenta, seguir a dieta isenta de leite de vaca é quase impossível?

A dieta de exclusão de leite de vaca e seus derivados não é fácil, mas pode ser adotada quando a mãe segue as recomendações de um profissional competente. Este irá traçar um plano nutricional para que a exclusão seja feita de maneira adequada, sem riscos para mãe e bebê.

  • O paciente com APLV precisa excluir também a carne de vaca da dieta?

 O leite de vaca e seus derivados, como queijo, iogurte e manteiga, devem ser excluídos da dieta da criança com APLV ou da mãe que amamenta um bebê com a condição. O mesmo não vale para a carne de vaca.

O leite de vaca é composto por proteínas como caseínas e as proteínas do soro. Já a carne de vaca possui proteínas diferentes. Portanto, a APLV nada tem a ver com uma possível alergia à carne, bastante rara. Além disso, o risco de reatividade cruzada da proteína do leite com as proteínas da carne de vaca é muito pequeno. Assim, esta última só deve ser retirada da alimentação da criança se for confirmado que ele apresenta reação após o consumo.

 

  • Existem substâncias que, mesmo sem ter o nome de leite, podem indicar a presença de proteínas do leite nos alimentos?

Caseína, caseinato, lactoalbumina, lactoglobulina, lactose, lactulose, proteínas do soro, sabor artificial de manteiga, caramelo e manteiga são algumas das substâncias que podem indicar a presença de proteínas do leite..

  Eu preciso substituir todos os utensílios da minha cozinha para evitar contaminação cruzada com leite?

Os utensílios plásticos e a esponja para lavar louça precisam ser separados, pois são materiais mais porosos e que aderem mais aos resíduos alimentares. Os demais podem ser bem higienizados e reutilizados

 Como deve ser feito o teste de provocação oral?

O TPO consiste em reintroduzir o leite na dieta em pequenas doses com aumento progressivo no volume, na presença do médico em ambiente hospitalar ou ambulatorial, dependendo do tipo de reação.

É necessária a presença do médico durante o teste por 2 motivos: (1) se a criança apresentar alguma reação será possível medicá-la imediatamente, (2) os pais podem subvalorizar ou supervalorizar as reações que a criança apresentou, por não conhecerem exatamente todas as manifestações clínicas que ela poderá apresentar.

As reações mediadas por IgE podem aparecer imediatamente ou em até 2 horas. Já as reações tardias podem nem aparecer no mesmo dia. Nesses casos a criança volta para casa tomando o leite. Caso ela apresente algum sintoma é preciso ligar para o médico.

Se a criança apresentar reação após a reintrodução do leite é confirmada a APLV e a dieta deverá ser mantida por 6 a 12 meses na dependência da idade e da gravidade das manifestações.

Se em 30 dias consumindo o leite na dieta a criança não apresentar nenhum sintoma o teste é considerado negativo, ou seja, a criança não tem APLV ou já sarou.

  Qual diferença entre ALERGIA AO LEITE DE VACA (APLV) e  INTOLERÂNCIA À LACTOSE?

 A APLV é uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no leite de vaca, como a caseína; já a intolerância à lactose é quando o sistema digestivo reage ao açúcar presente no leite. A intolerância à lactose ocorre em pessoas que não produzem a enzima lactase, ou não a produzem em quantidade suficiente para digerir a lactose, o açúcar presente no leite. A intolerância à lactose, portanto, envolve o sistema digestivo, e não o sistema imune. Em vez de digerir normalmente a lactose no estômago e intestino delgado, a substância se move para o cólon, onde é decomposta por bactérias, causando inchaço e gases.

Quando a criança intolerante à lactose ingere um alimento com leite, ela pode experimentar sintomas da APLV, como a diarreia. No entanto, a alergia têm sintomas mais graves e que não envolvem apenas o sistema digestivo. Uma criança com APLV pode também ter apresentar problemas respiratórios e cutâneos

A alergia ao leite de vaca é muito mais comum em crianças – especialmente em bebês. Adultos raramente têm APLV. A intolerância à lactose pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais recorrente em adultos e idosos. A APLV pode trazer consequências mais graves do que a intolerância à lactose.

Alergia ou intolerância à lactose?    FAZER TABELA COMPARATIVA

Os sintomas são os principais indicadores, fundamentais para o diagnóstico.

A APLV pode causar diversas reações, que podem ocorrer imediatamente após a ingestão do leite de vaca ou até semanas após o consumo.

  • Vômitos
  • Cólicas
  • Diarreia
  • Dor abdominal
  • Prisão de ventre
  • Sangue nas fezes
  • Refluxo
  • Urticária
  • Dermatite atópica
  • Asma
  • Chiado no peito
  • Rinite
  • Reação anafilática
  • Baixo ganho de peso e crescimento

A intolerância à lactose, causa apenas sintomas intestinais. Eles podem ocorrer em minutos ou horas após a ingestão de leite de vaca. Assim, não há sintomas tardios. As principais reações são:

  • Diarreia
  • Cólica
  • Gases
  • Distensão abdominal (barriga estufada)

Diagnóstico e tratamento

Para diagnosticar ambas as condições, é preciso consultar um médico que irá traçar o histórico clínico e registrar os principais sintomas. No caso da APLV, exames podem ajudar quando há sintomas imediatos, pois há a produção de anticorpos que podem ser identificados nos testes.

Mas o diagnóstico final é confirmado apenas quando as reações regridem durante a dieta de exclusão e o Teste de Provocação Oral. Ele consiste em reintroduzir o leite em pequenas e progressivas doses para entender se o leite é realmente a causa dos sintomas. Importante destacar que essa etapa deve ser sempre realizada na presença do médico, caso a criança apresente alguma reação alérgica mais grave.

A intolerância à lactose é diagnosticada pela observação dos sintomas associados à ingestão de alimentos com lactose. Para a APLV, é preciso retirar da dieta tudo o que contenha leite de vaca. No caso da intolerância à lactose, o consumo de leite e seus derivados será reduzido, mas a quantidade depende de cada caso.

Nas duas situações o aleitamento materno deve ser mantido, seguindo as orientações do médico e da nutricionista

  Meu filho fez um exame que diagnosticou intolerância à lactose. Isso quer dizer que ele não tem alergia ao leite?

Não necessariamente. A intolerância à lactose muitas vezes é um sintoma decorrente da inflamação do intestino. Uma criança com alergia à proteína do leite de vaca que apresenta diarreia, com ou sem a presença de sangue e muco, está com seu intestino inflamado e por essa razão pode também apresentar intolerância à lactose concomitante à APLV.

Esse tipo de intolerância é passageiro, mas pode aparecer no exame e não necessariamente é diagnóstico de base da criança.

É preciso ter muito cuidado com a interpretação dos exames, pois se a criança com APLV for tratada como intolerante à lactose ela poderá não melhorar, pois muitos alimentos sem lactose possuem as proteínas do leite.

O mais comum em bebês e crianças é a alergia ao leite, não intolerância à lactose

  • O leite é o principal alimento causador de alergias?

A alergia à proteína do leite é o tipo mais comum de alergia alimentar. Os oito alimentos mais alergênicos são: leite de vaca, soja, ovo, trigo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas.

  • Os sintomas da APLV podem surgir vários dias após a ingestão do leite de vaca?

 Há três tipos de sintomas que podem ocorrer após a ingestão de leite de vaca: imediatos, tardios ou mistos. Os primeiros ocorrem minutos ou poucas horas após o consumo e costumam ser mais graves e persistentes, como urticária, choque anafilático e vômito em jato. Já as reações tardias podem surgir dias ou até semanas após o início do contato com o leite, principalmente nos casos em que o paciente apresenta manifestações gastrointestinais.

As reações mistas, por fim, podem ser tanto imediatas, logo após a ingestão do leite de vaca, ou tardias, surgindo horas ou dias depois. Asma, refluxo e baixo ganho de peso são alguns dos sintomas tardios.

  O que fazer caso haja ingestão acidental de alimentos com leite?

Se a criança consumir algum alimento com leite por engano e os sintomas forem desencadeados a família deverá seguir a conduta do médico e avisá-lo. Caso os sintomas não melhorarem, pode ser necessário procurar um serviço de emergência. Mas, é necessário comunicar o médico de plantão que a criança possui APLV.

  É verdade que a alergia tem cura? Até quando meu filho precisará fazer a dieta?

É verdade. Muitas crianças desenvolvem tolerância ao leite com o passar do tempo e saram da alergia. Cerca de 50% das crianças com alergia à proteína do leite de vaca desenvolvem tolerância com um ano de idade; cerca de 75% até os três anos e 90% até completar seis anos.

Mas para isso é preciso seguir o tratamento corretamente. A ingestão de alimentos com leite quando a criança apresenta sintomas pode retardar o desenvolvimento da tolerância.

Não é possível precisar o tempo exato, pois depende muito do tipo de reação e da forma como o organismo da criança reage. Mas é importante reavaliar e realizar o teste de provocação após cerca de 6 a 12 meses de tratamento sem sintomas.

Assim como a alergia ao leite de vaca, as alergias a ovo, trigo e soja também costumam ser superadas pelas crianças. Já as reações a alimentos como frutos do mar e amendoim são mais persistentes.

  • Bebês com APLV devem ser amamentados ?


Os bebês podem desenvolver APLV reagindo às proteínas do leite de vaca contidas no leite materno. Com as alterações na dieta da mãe, a amamentação pode continuar com segurança.

  • O paciente com APLV precisa excluir também a carne de vaca da dieta?

O leite de vaca é composto por proteínas como caseínas e as proteínas do soro. Já a carne de vaca possui proteínas diferentes. Portanto, a APLV nada tem a ver com uma possível alergia à carne, bastante rara

  • APLV e refluxo podem estar ligadas?

O refluxo fisiológico, com episódios de regurgitação, é recorrente nos primeiros meses de vida. O número de diagnósticos da APLV também tem aumentado. Portanto, pode ser que o seu filho apresente ambas as condições, e que uma interfira na outra. Sabe-se que medicamentos usados para combater o refluxo podem reduzir a secreção ácida no intestino e, portanto, afetar a digestão de proteínas, aumentando a exposição intestinal a substâncias alérgicas.

Além disso, como a APLV é de prevalência alta entre lactentes, é recomendável que as crianças com refluxo sejam testadas também para a alergia ao leite de vaca, submetendo-a a uma dieta de exclusão.

  • A APLV pode causar choque anafilático?

Além do perigo de uma reação imediata grave, como o choque anafilático, a criança com APLV, quando não acompanhado de forma correta, pode sofrer um déficit nutricional que pode se acentuar na medida em que a dieta de substituição demora para ter início.

  • O QUE POSSO FAZER PARA FACILITAR A DIETA DE EXCLUSÃO?

 Separe os utensílios

A separação é importante para prevenir a contaminação cruzada. Quando você faz um bolo contendo leite e depois utiliza a mesma tigela para fazer outra massa, sem o ingrediente, os resquícios de leite de vaca podem acabar contaminando o bolo feito para a criança alérgica. Por isso, o ideal é isolar os utensílios utilizados para preparar comidas livres do alimento. Isso inclui desde o liquidificador e os talheres até a esponja para lavar louça.

Faça um diário alimentar

Fundamental para identificar alimentos causadores de alergia na criança. Registre nele todas as refeições e medicamentos ingeridos, assim como os horários e quantidades. Se houver qualquer reação alérgica, anote os sintomas e outros detalhes importantes.

 Converse com a criança sobre a dieta

É importante que a criança esteja consciente sobre existência da condição e suas consequências, quando já tem idade suficiente.

Procure substitutos para o leite de vaca  

Com a exclusão do leite de vaca, é necessário procurar alimentos com mesmos nutrientes, com a supervisão de uma nutricionista. Procure receitas diferentes, para estimular a curiosidade das crianças.

Tenha uma lista dos alimentos a serem evitados

Faça uma lista em um papel para deixar na porta da geladeira e também mantenha a lista no celular

Veja, abaixo, uma lista de alimentos que costumam ser excluídos da dieta em casos de APLV:

  • Leite de vaca (todos os tipos: integral, desnatado, semi-desnatado, evaporado, reconstituído, fermentado, condensado, em pó, fluido, desidratado, maltado, sem lactose)
  • Queijo
  • Leite e queijo de cabra, de ovelha e de búfala
  • Iogurte
  • Coalhada
  • Petit suisse
  • Bebida láctea
  • Creme de leite
  • Nata, coalho, creme azedo
  • Soro do leite
  • Manteiga
  • Margarina que contenha leite
  • Ghee (manteiga clarificada)
  • Requeijão
  • Cream cheese
  • Molho branco
  • Doce de leite
  • Chantilly
  • Cremes doces
  • Pudim

Além dos alimentos, tenha uma listinha dos ingredientes que não devem ser consumidos pelo seu filho ou por você, caso esteja amamentando um bebê com APLV. Ler rótulos será um hábito e é importante facilitar a tarefa. Veja algumas das substâncias a serem evitadas:

  • Caseína
  • Caseinato (todos os tipos de amônio, cálcio, magnésio, potássio ou sódio)
  • Lactose
  • Lactoglobulina, lactoalbumina, lactoferrina
  • Gordura de manteiga, óleo de manteiga, éster de manteiga
  • Gordura anidra de leite
  • Lactato
  • Soro do leite, whey protein
  • Fermento lácteo
  • Cultura inicial de ácido lático fermentados em leite ou soro de leite
  • Composto lácteo , mistura láctea
  • Proteína láctea do soro do leite microparticulada
  • Diacetil (normalmente usado em cerveja ou pipoca amanteigada)
  • Aditivos que podem conter traços de leite, como corantes, aroma ou sabor natural de manteiga, margarina, leite, caramelo, creme de coco, creme de baunilha, iogurte, doce de leite e outros derivados do leite.

Sempre consulte o SAC do fabricante dos produtos, pois podem ter alterado a formulação.

 

Fonte: danone nutrition

 

 

 

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