Urticária

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Urticária

  • O que é urticária?

As urticarias surgem na pele como placas vermelhas inchadas e apresentam coceira muito intensa. Duram de poucos minutos a várias horas, podendo variar o local. Estima-se que cerca de 15% a 20% da população pode apresentar urticária em algum da momento da vida.

Se você se deparou com placas vermelhas na pele e apresentam coceira muito intensa, é improvável que sejam simples picadas de insetos. O surgimento desses sintomas pode ser sinais da urticária, a coceira das urticárias pode variar de leve a grave.

As urticarias de modo geral, aparecem em surtos em diversos locais do corpo e pode ou não vir acompanhada também de angioedema nos lábios, nas pálpebras ou na língua – que é quando os locais ficam extremamente inchados e doloridos. Os angioedemas também são temporários e podem durar até 72h reaparecendo ou não em outras áreas do corpo. Além dos sintomas relacionados às placas e lesões. Nesses casos, é fundamental que o paciente procure rapidamente um pronto-socorro.

  • O que é o angioedema?

Angioedema é um nome usado para um inchaço rápido (ou edema), que ao invés de afetar a camada externa da sua pele (a epiderme), como as urticas fazem, atinge os tecidos mais profundos da pele (a derme, tecido subcutâneo, mucosa e tecidos submucosais) que reagem rapidamente. O angioedema geralmente atinge mãos e pés, mas também pode aparecer na cabeça, no rosto, no pescoço e até mesmo nos órgãos genitais.

Até 20% das pessoas podem ter uma manifestação do problema em algum momento da vida, sem apresentar urticária. No entanto, até 40% das pessoas com urticária crônica podem ser afetadas pelo angioedema.

Há também aqueles pacientes que têm UCE, mas não têm urticas, apresentando apenas angioedema (aproximadamente 10% dos pacientes com UCE). O angioedema também pode acontecer por outras razões além da urticária crônica, como uma reação alérgica a uma substância (como remédio, alimento, látex ou animais) ou ser causado por uma condição genética chamada de angioedema hereditário. Em casos raros, o angioedema também pode ser causado por alguns tipos de câncer ou doenças autoimunes, como o lúpus.

O angioedema pode ser grave em alguns casos. Entretanto, na UCE, é raro. O angioedema tende a ser leve, mas pode progredir e afetar os tecidos envolvidos com a respiração, o que pode acabar contraindo as vias aéreas. O angioedema na urticária pode persistir por até 3 dias seguidos, sendo em geral, doloroso e muito inconveniente. O inchaço no rosto pode prejudicar a visão, enquanto os pés inchados podem tornar quase impossível que você coloque seus sapatos

Existem dois tipos de urticária, de acordo com o tempo de evolução:

  • Aguda (<6 semanas)

Prevalência: 8% a 20% dos adultos em todo o mundo2,3

  • Crônica (>6 semanas)

Prevalência: 0,1% a 1,8% dos adultos em todo o mundo2,3

A urticária aguda relacionada à alergia pode ser difícil de identificar e tratar, já que a sensibilização a vários elementos é comum. Até 80% dos pacientes com alergias são sensíveis a mais de um alérgeno.8 Além disso, identificar o alérgeno óbvio nem sempre é suficiente. Respostas alérgicas podem se desenvolver a substâncias antes toleradas, e a sensibilização a alérgenos sazonais e perenes geralmente se acumulam para desencadear sintomas.

  • Causas de urticária aguda

É possível que não exista qualquer envolvimento imunológico na urticária aguda. Os seguintes tipos de alérgenos podem desencadear uma resposta alergica:

  1. Alérgenos por contato ou inalados (ou seja, látex, saliva animal poeira, pólen, bolores, pelos de animais)
  2. Alérgenos ingeridos (por exemplo, amendoins, nozes, castanhas, frutos do mar, peixes, trigo, ovos, leite, grãos de soja)
  3. Picadas ou mordidas de insetos
  4. Reações adversas a medicamentos (por exemplo, penicilina, sulfa, opiáceos, inibidores da enzima conversora de angiotensina [ECA], antiinflamatórios não esteroides [AINEs])
  5. Urticária de contato (por exemplo, vegetais, animais)
  6. Dermatite de contato (por exemplo, hera venenosa, níquel)
  7. Exacerbação da urticária física (por exemplo, dermografismo, urticária colinérgica)
  8. Estímulos físicos (por exemplo, pressão, frio, calor, exercícios, exposição à luz solar)
  9. Infecções virais ou bacterianas (por exemplo, parvovírus B19, vírus Epstein-Barr)
  • O que é UCE ( Urticaria crônica espontânea)?

Na urticária, muitos fatores externos como cosméticos, medicamentos, alimentos, produtos de limpeza podem causar os sintomas como urticas e angioedema. A grande diferença é que na UCE (Urticária Crônica Espontânea) as lesões aparecem espontaneamente. Isto é, a UCE não é causada por nenhum desses agentes externos, e sim pelo próprio organismo.

Como muita gente ainda desconhece a UCE, não é raro que pacientes com a doença busquem continuamente a suposta “causa” das lesões na pele, privando-se desnecessariamente de muitos alimentos, cosméticos, medicamentos e modificando significativamente seus hábitos de vida.

Outro fator que traz muito impacto na qualidade de vida das pessoas com UCE é que as urticas e o angioedema aparecem de repente, sem aviso, tornando a doença imprevisível e acarretando em diversas frustrações para os pacientes, como viagens canceladas, ausências em reuniões importantes etc

A imprevisibilidade das crises de UCE impacta demais a vida dos pacientes, podendo levar a um estado mental de ansiedade e até depressão.

O impacto da urticária crônica espontânea na qualidade de vida dos pacientes é devastador, sendo mais alto que o de outras doenças dermatológicas até mais conhecidas, como a hanseníase (lepra) e a psoríase. A UCE afeta inúmeros aspectos da vida dos pacientes, incluindo os relacionamentos pessoais, familiares e sexuais, levando a um isolamento social significativo – além dos sintomas como coceira, dor e a consequente privação do sono.

O diagnóstico é feito através do histórico do paciente, exame físico, exames complementares, testes alérgicos e provas de provocação

Se o histórico do paciente com foco em alergia detectar fortes sintomas ou um histórico de sensibilizações, você pode seguir as diretrizes atuais e realizar testes de diagnóstico. O teste cutâneo (skin prick test, SPT) e o exame de sangue para IgE específica podem ajudá-lo a confirmar ou descartar a sensibilização a alérgenos, dando-lhe a capacidade de realizar um diagnóstico correto e melhorar o gerenciamento clínico

No caso de urticária aguda, suas iniciativas de diagnósticos serão amplamente concentradas na identificação dos possíveis desencadeantes e alergias. Você adquire essas informações por meio de um histórico minucioso, que deve abranger medicamentos (por exemplo, analgésicos não esteroidais) e alimentos. O histórico do paciente também deve abranger infecções (por exemplo, infecções respiratórias virais agudas das vias aéreas superiores), pois elas são uma das causas mais frequentes de urticária aguda.

Teste aumenta a confiança do diagnóstico

A adição de testes de diagnóstico para ajudar em um diagnóstico diferencial demonstrou aumentar a confiança no diagnóstico para 90%. Convencionalmente, o diagnóstico de doença alérgica ou autoimune depende da história do caso e de um exame físico. No entanto, a adição de testes de diagnóstico para auxiliar em um diagnóstico diferencial demonstrou aumentar a confiança no diagnóstico. Os testes de diagnóstico também podem ajudar a melhorar a qualidade de vida e a produtividade do paciente, reduzir os custos associados ao absenteísmo e otimizar o uso de medicamentos, além de diminuir as visitas não programadas à saúde..

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O melhor tratamento para a urticária é descobrir sua causa e eliminá-la, o que infelizmente, nem sempre é possível. Portanto, é importante ter muita paciência e seguir corretamente as orientações do seu médico.

Evite os causadores conhecidos e consulte um alergista, que é especialmente treinado para identificar os causadores das suas urticarias e pode recomendar medicamentos para prevenir as colmeias ou reduzir a gravidade dos sintomas.

O tratamento padrão são os anti-histamínicos não sedantes, que agem diretamente bloqueando a ação da histamina. O tratamento da urticária crônica espontânea e a dosagem adequada do medicamento devem ser determinados pelo médico. Por mais tentadora que a automedicação possa parecer – por conta do desconforto causado pelos sintomas da UCE – o paciente deve sempre seguir todas as recomendações médicas. Isso é fator determinante para o sucesso do tratamento por diferentes razões, inclusive porque alguns medicamentos, como analgésicos e anti-inflamatórios, podem provocar exacerbações e agravar os sintomas da UCE.

De acordo com diretrizes internacionais, o médico pode aumentar a dose de alguns anti-histamínicos caso o paciente não obtenha o controle completo dos sintomas da UCE com a posologia inicial após período de duas a quatro semanas de tratamento. Se os sintomas não desaparecem após duas a quatro semanas, apesar da adesão ao tratamento com anti-histamínico adequado, o médico deverá lançar mão de tratamentos mais modernos já disponíveis no Brasil.

Cerca de 25% dos pacientes com UCE não obtêm controle completo dos sinais e sintomas mesmo com o uso de anti-histamínicos em doses otimizadas e, por isso, necessitam de uma abordagem terapêutica diferenciada.

  • Quando houver suspeita de obstrução das vias aéreas associada – caracterizada por inchaço e dor na garganta, náuseas, vômitos e hipotensão arterial (queda da pressão arterial) – recomenda-se que o paciente busque tratamento médico de emergência, diminuindo o risco de consequências mais graves com tratamento adequado.

Infelizmente, é muito comum que os pacientes com UCE (urticária crônica espontânea) façam um uso indiscriminado da automedicação, especialmente dos corticoides orais, na tentativa de prevenir as crises ou de “ficar bom rápido”.

O que nem todos as pessoas com UCE sabem é que uso indiscriminado de corticoides orais têm inúmeros efeitos adversos no organismo, gerando dependência, o que leva a alterações estéticas e até metabólicas sérias, como obesidade, hipertensão, osteoporose, diabetes e miopatia por corticosteroides.

  • Omalizumabe é uma terapia imunobiológica, anti IgE, que modifica a resposta imune O omalizumabe é indicado para tratamento de adultos e crianças acima de 12 anos portadores de urticária crônica espontânea grave que não respondem ao tratamento convencional de primeira e segunda linhas, isto é, que não respondem aos anti-histamínicos (antialérgicos). Seu uso é subcutâneo, mensal, com aplicação supervisionada e restrita a clínicas e hospitais. A prescrição deve ser feita pelo seu médico.
  • Os estudos científicos mostram que o omalizumabe é uma opção para esses casos de difícil controle e apresenta boa resposta e bom perfil de segurança.

Caso você desconfie que tenha urticarias consulte seu médico alergista para avaliar seu caso e orientar sobre o melhor tratamento.

  •   O que são os questionários UAS7 e DLQI ?

São questionários usados para o acompanhamento da urticária e avaliar o impacto na qualidade de vida. Para padronizar essas métricas, existem questionários reconhecidos e
utilizados internacionalmente: o UAS7 e o DLQI.

  • UAS7

O Questionário de Atividade da Urticária (UAS – Urticaria Activity Score) avalia a gravidade e o
controle dos principais sintomas da urtic
ária:  número de
urticas (lesões avermelhadas) e
intensidade da coceira.

Para responder ao questionário, os pacientes devem preenchê-lo todos os dias por 7 dias consecutivos. O ideal é preencher sempre no mesmo horário, e considerar a
quantidade de urticas e intensidade da coceira das últimas 24 horas. A pontuação diária do UAS pode variar de 0 a 6 por dia. A soma da pontuação dos sete dias consecutivos é o índice UAS7, que pode variar de zero a 42.

Quanto maior o índice, mais grave a urticária.

Clique aqui para pegar o seu UAS7 

  • DLQI

O Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI) é uma métrica usada amplamente na
dermatologia, para avaliar a qualidade de vida de pessoas com doenças de pele, como a urticária crônica espontânea.

O DLQI é composto por
10 perguntas simples que avaliam os impactos da doença de pele na vida do paciente ao longo de uma semana, considerando os seguintes aspectos:

  1. sintomas e sentimentos
  2. atividades diárias
  3. lazer
  4. trabalho e escola
  5. relações pessoais
  6. tratamento.

A soma das respostas gera um resultado, sendo zero o melhor índice, quando não há impacto na
qualidade de vida, e 30 o pior, quando o impacto é altíssimo
Tanto o questionário UAS7 quanto o DLQI devem ser respondidos e discutidos como ferramenta de monitorização e apoio ao tratamento junto ao médico responsável! Essas ferramentas não substituem o diagnóstico clínico dos especialistas (dermatologistas e alergistas)

 

Por mais desafiador que possa parecer, é sim possível viver com qualidade de vida e superar os desafios impostos pelos sintomas das urticárias crônicas. Para isso, entretanto, é preciso seguir algumas recomendações… O Dr. Luis Felipe Ensina, especialista em alergia e imunologia clínica, listou alguns passos que são fundamentais para quem quer alcançar o bem-estar. Confira:

  1.  Siga as recomendações médicas, sempre! A urticária crônica pode durar vários meses ou anos. Enquanto ela estiver em atividade é importante que você use as medicações indicadas pelo seu médico, mesmo quando a urticária não estiver se manifestando. Isso ajudará a manter o quadro controlado e trará uma melhor qualidade de vida.
  2.  Diga NÃO à automedicação. Medicamentos do tipo analgésicos e anti-inflamatórios – como o ácido acetilsalicílico, entre outros –, podem agravar a urticária crônica, provocando exacerbações muitas vezes graves. Evite o uso deste tipo de medicamento. Em caso de dor ou febre, converse com o seu médico sobre a opção mais segura.
  3.  Mexa-se! As atividades físicas e exercícios são sempre importantes e constituem um hábito saudável. Caso a urticária limite suas atividades físicas, converse com o seu médico que poderá sugerir uma adequação do tratamento da urticária.
  4.  Evite o que te faz mal… Algumas pessoas podem piorar da urticária em situações em que exista aumento da temperatura corporal, como estresse, calor e consumo de bebidas alcoólicas. Se isso acontece com você, procure evitar estes desencadeantes. Mas lembre sempre que o tratamento da urticária deve ter como objetivo o controle completo dos sinais e sintomas da urticária para que você tenha uma boa qualidade de vida. E qualidade de vida é ter uma vida normal, sem sinais, sintomas ou limitações.
  5.  Tenha atenção à alimentação! Alimentos não são causa de urticária crônica, mas podem desencadear crises, principalmente aqueles ditos “liberadores de histamina”, como carne de porco, crustáceos, morango e chocolate, entre outros. Algumas pessoas pioram ao ingerir alguns alimentos, outras não. Observe no seu caso se existe relação entre ingestão de determinado alimento e piora da urticária, e compartilhe isso com o seu médico, que poderá te orientar sobre a necessidade ou não de uma dieta específica.
  6.  … e evite corantes e conservantes: existem cada vez mais evidências científicas de que os aditivos alimentares não estão diretamente relacionados com as exacerbações da urticária crônica. Por outro lado, uma dieta sem corantes e conservantes é mais saudável, e hábitos saudáveis devem ser incorporados na vida de todos nós! Pense nisso ao escolher seus alimentos…
  7.  Keep calm! Mantenha-se calmo! A urticária não é causada por estresse, mas o estresse pode piorar a sua urticária. Procure sempre um período do dia para relaxar, fazer uma atividade ao ar livre, curtir a vida com a família e os amigos. Isso certamente o ajudará a ter uma melhor qualidade de vida.
  8.  Conheça e monitore seus índices: durante o seu tratamento, utilize as ferramentas disponíveis para monitorar a sua urticária, como o Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI) e o Escore de Atividade da Urticária (UAS). Isso é importante, pois permite que você e seu médico tenham dados mais objetivos em relação a sua qualidade de vida durante o tratamento da urticária.

O manual “Doutor, eu tenho urticária” possui:  

  • O que é urticária?
  • O que ocorre com o corpo ao adquirir a urticária
  • Toda urticária é igual
  • Vou ter urticária a vida toda
  • Crianças podem ter urticária
  • Qual tratamento para urticária ?

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